Passamos anos das nossas vidas preocupados com o que dizemos às crianças. Medimos as palavras, filtramos as conversas, tentamos ter sempre a resposta certa para as perguntas difíceis. Mas, muitas vezes, esquecemos que as lições mais profundas que uma criança absorve não vêm daquilo que dizemos.
Vêm daquilo sobre o qual nos calamos.
Por Que Adultos Ficam Quietos Diante de Emoções Difíceis
Nos calamos porque não sabemos o que dizer, porque também ficamos desconfortáveis. Porque queremos proteger a criança da dor. Porque temos medo de piorar a situação. Porque, muitas vezes, ninguém nos ensinou a conversar sobre emoções difíceis quando éramos pequenos.
Então fazemos o que parece mais seguro: mudamos de assunto. Dizemos "não foi nada". Tentamos distrair. Oferecemos um brinquedo, uma tela, uma piada, um "vai passar".
Esse silêncio parece inofensivo, até protetor. Mas para a criança, o silêncio é um professor rigoroso. Ele ensina que certas emoções não têm lugar. Ensina que o que ela sente não tem nome. Que o medo precisa ser escondido. Que a tristeza deve ser resolvida depressa. Que a saudade incomoda. Que a frustração é feia. Que o choro precisa acabar antes de ser compreendido.
A criança ainda não tem maturidade para pensar: "meu pai ou minha mãe não sabe bem como lidar com isso." Ela sente de forma mais simples e mais profunda: "Talvez o que eu sinto não possa ser dito."
O preço que pagamos na idade adulta
Se olharmos com atenção para o mundo à nossa volta, veremos uma esmagadora maioria de adultos respondendo aos problemas do dia a dia, seja no trabalho, no casamento ou nas amizades, com as ferramentas emocionais de quando eram crianças.
Vemos adultos que gritam quando estão com medo, que se isolam quando estão tristes, que paralisam diante da frustração. Ficam estagnados, perdendo anos de suas vidas sem conseguir avançar, simplesmente porque nunca lhes deram o vocabulário para entender o que se passa dentro deles.
A neurociência e a psicologia do desenvolvimento, incluindo o trabalho de especialistas como Daniel Siegel, mostram que o cérebro da criança precisa da ajuda de um adulto para regular emoções intensas. Quando essa regulação não acontece e o silêncio toma conta, o cérebro não aprende a processar o desconforto. Não é falta de inteligência ou de vontade. É o resultado de uma infância onde o silêncio foi a única resposta para as emoções difíceis.
A coragem de dar nome ao que se sente
A boa notícia é que esse ciclo pode ser quebrado. E a ferramenta para isso é incrivelmente simples: a conexão.
Uma criança pequena não diz: "Estou ansiosa porque tenho medo de me separar de você." Ela diz: "Não apaga a luz.", "Fica mais um pouco.", "Minha barriga dói.", "Não quero ir.", "Estou com raiva.", "Não gosto disso." Ou talvez apenas chore, grite, paralise, se agarre ao adulto ou tente controlar tudo ao redor.
O comportamento aparece por fora. A emoção está acontecendo por dentro. E é aqui que o adulto se torna ponte.
Quando uma criança aprende a nomear o que sente, algo importante acontece no seu cérebro. A simples ação de colocar uma emoção em palavras ajuda a acalmar o sistema nervoso. Ela percebe que a sua emoção tem valor. Ela entende que não há problema em ter medo, desde que saiba o que fazer com ele. Se uma criança cresce numa família onde há espaço para falar sobre o medo, a tristeza, a saudade e a gratidão, ela vai se tornar um adulto mais preparado para enfrentar a vida.
Por isso, conversar com crianças sobre emoções não é um detalhe moderno da parentalidade. É uma forma de prevenção afetiva. É uma maneira de ajudar a criança a crescer com mais vocabulário interno, mais consciência, mais empatia e mais coragem para lidar com a vida real.
Não precisamos ter todas as respostas. Muitas vezes, tudo o que uma criança precisa ouvir é: "Eu sei que você está com medo. Eu também sinto medo às vezes. Vamos falar sobre isso?"
Uma coleção que nasceu para quebrar esse silêncio
This is exactly why I created A coleção "As Cores do Coração É exatamente para isso que a coleção As Cores do Coração nasceu. Não são apenas histórias para a hora de dormir. São pontes. São ferramentas para que pais e cuidadores tenham uma oportunidade perfeita para iniciar as conversas que realmente importam, usando personagens e situações que a criança compreende e reconhece.
Porque quando deixamos de ter medo de falar sobre o que sentimos, ensinamos aos nossos filhos a maior virtude de todas: a coragem de ter um coração aberto.
No dia 4 de agosto, os dois primeiros livros da coleção As Cores do Coração chegam ao mundo. Convido você a fazer parte dessa jornada. Uma história de cada vez, vamos juntos dar cor, nome e voz às emoções das nossas crianças. A coleção "As Cores do Coração collection arrive in the world. I invite you to be part of this journey. One story at a time, let’s give colour, name, and voice to our children’s emotions. Together.
Continue essa jornada…
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A coleção "As Cores do Coração foi criada para ajudar as famílias a começarem as conversas que realmente importam, uma história de cada vez.